São Paulo — Dois dos mais conhecidos slogans do fundador da companhia área TAM, o comandante Rolim Amaro (1942-2001), eram “nada substitui o lucro” e “a maneira mais fácil de ganhar dinheiro é parar de perder.” Ambas as frases definiram o DNA da companhia que se acostumou com a liderança, mas que viu parte de seus negócios ficar para trás ante ao acirramento da concorrência nos últimos anos.

 


Embora muitos de seus rivais tenham ficado pelo caminho, como Varig, Vasp e Transbrasil, na última década, a empresa perdeu a liderança no mercado nacional para a Gol e, em muitas rotas, para a Azul. Tanto é que a companhia, que desde 2012 atende pelo nome de Latam — resultado de união da TAM com a LAN Chile —, é líder em voos internacionais, com 68,7% dos destinos, mas é a vice e tem apenas 35,9% dos voos entre cidades brasileiras, atrás dos 38,2% da Gol.

“A aliança com a Delta fortalece nossa empresa e nossa liderança na América Latina, ao oferecer a melhor conectividade por meio de nossas redes de rotas, que são altamente complementares”, disse, em comunicado, o presidente da Latam, Enrique Cueto.

A aposta da Latam para voltar ao topo do mercado interno se dá em um ambiente de reação da aviação comercial no país. Embora a Avianca Brasil tenha encerrado suas operações em maio, os números indicam uma trajetória de reação das três principais empresas: Latam Brasil, Gol e Azul.



Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as três principais empresas brasileiras de transporte aéreo público contabilizaram, juntas, lucro líquido de R$ 194,1 milhões no segundo trimestre de 2019, resultado que representou margem líquida positiva de 2,0%, ante prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão e margem líquida negativa de 20,9% apurados no mesmo período de 2018.

No primeiro semestre, houve prejuízo líquido de R$ 84,5 milhões e margem líquida negativa de 0,4%, contra um prejuízo de R$ 1,2 bilhão e margem negativa de 7,4% no mesmo período do ano passado. De acordo com a agência, a melhora dos números veio na contramão da significativa influência nos custos operacionais do transporte aéreo, combustíveis e taxa de câmbio, em alta no segundo trimestre, em comparação com mesmo período do ano passado. O querosene de aviação, por exemplo, subiu 11,5% na média do período.  A taxa de câmbio do real frente ao dólar, considerada também a média do período, manteve-se 8,7% maior que no segundo trimestre do ano passado.

Simplificação

Vale lembrar que o combustível corresponde a cerca de 30% dos custos e despesas operacionais dos serviços de transporte aéreo prestados pelas empresas brasileiras. Já a taxa de câmbio tem forte influência nos custos de combustível, arrendamento, manutenção e seguro de aeronaves, que, em conjunto, representam cerca de 50% dos custos e despesas dos serviços aéreos.

No caso da Latam, o esforço para recuperar o espaço perdido passará por uma remodelação de sua estrutura operacional, e terá o suporte da Delta, que, na semana passada, comprou 20% do capital da empresa por US$ 1,9 bilhão (quase R$ 7,8 bilhões). Unidas, as duas companhias voarão para 435 destinos.

Atualmente, a Delta já é dona de fatia de companhias como Aeromexico, Air France-KLM, China Eastern, Korean Air, Virgin Atlantic e, em fases avançadas de negociação, com a Alitalia.

Nesta semana, a Latam anunciou a criação de um novo programa de fidelidade, o Latam Pass, que já nasce como o quarto maior do ramo no mundo. Na prática, o novo Latam Pass simboliza a união dos antigos programas Multiplus e Latam Fidelidade.

“O programa foi concebido com base no pedido dos passageiros, que queriam uma simplificação”, disse Fabrício Angelin, diretor do Latam Pass no Brasil. “Juntamos o melhor do Latam Fidelidade e da Multiplus em um só programa, agora muito focado no resgate aéreo, preferência de 85% dos clientes, e com muito mais promoções.” 



Fonte: Correio Braziliense




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