Notícias - Escola de Aviação Civil CEAB
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Azul prevê dobrar negócio em 5 anos

Companhia planeja comprar 15 aeronaves e ampliar a malha aérea com seis a oito destinos por ano


John Rodgerson, presidente da Azul: empresa foi lucrativa nos últimos anos, mas não ganhou dinheiro como poderia

A Azul, terceira maior companhia aérea do país, planeja dobrar de tamanho nos próximos cinco anos, ampliando a rentabilidade. O crescimento da empresa será obtido com o aumento da frota de aeronaves e a ampliação da malha, com abertura de novas rotas.

 

“A Azul foi lucrativa nos últimos anos, mas não ganhou dinheiro como poderia. De 2008 até aqui pegamos altos e baixos, em um Brasil que sofreu muito. Vamos ganhar muito mais daqui em diante”, afirmou John Rodgerson, presidente da Azul.

 

O executivo disse que o ambiente macroeconômico no Brasil dá sinais de melhora, o que deve contribuir para um crescimento mais significativo da demanda por voos no país. “O mercado melhorou no Brasil. O preço do combustível baixou. Estamos recebendo novas aeronaves, que são mais econômicas. O futuro é bastante promissor”, afirmou o executivo.

 

Para atender a essa nova oferta, a companhia planeja adquirir no próximo ano 15 aeronaves, que vão se somar à frota atual de 120 aviões. A expectativa da companhia é ampliar a malha aérea, com adição de seis a oito novos destinos por ano nos próximos dez anos. Rodgerson disse que a intenção é crescer principalmente com abertura de novas rotas em regiões mais ricas, mas pouco exploradas pela aviação. Ele citou como exemplo a abertura, neste ano, de voos para Bagé (RS) e Sorriso (MT).

 

Sem citar detalhes, o executivo disse que a Azul pretende fortalecer as parcerias internacionais nos próximos anos. A Azul possui rotas para 106 cidades nacionais e oito internacionais, e quase 800 voos diários. A Azul mantém parcerias com várias companhias internacionais, incluindo Tap, United, Copa, Jet Blue e Aigle Azur.

 

No terceiro trimestre, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 116,6 milhões, em queda de 41,5% em comparação com o mesmo intervalo de 2017. O recuo foi associado a perdas com a desvalorização do real ante o dólar e o aumento dos combustíveis. A receita líquida no trimestre cresceu 22,6%, para R$ 2,44 bilhões.

 

Para 2019, a expectativa da Azul é crescer entre 18% e 20% em oferta de voos, ante um crescimento para este ano estimado em 16%. De janeiro a setembro, o aumento foi de 16,7%. A expectativa da empresa é atingir um tráfego de 25 milhões de passageiros no próximo ano.

 

Rodgerson disse que, diferentemente de empresas como Latam e Gol, que competem há muitos anos em destinos tradicionais, a Azul busca ampliar sua atuação atendendo novos destinos. Recentemente, a companhia anunciou três novas cidades que passarão a fazer parte da sua malha a partir de janeiro de 2019: Toledo (PR), Pato Branco (PR) e Aracati (CE). Em seguida, a empresa terá rotas para Caruaru (PE) e Serra Talhada (PE).

 

“Existe muito espaço para crescer no mercado brasileiro. É preciso que o setor resolva questões para tornar o custo da aviação mais barato e atrair novos passageiros. Não é razoável uma passagem de São Paulo para o Nordeste custar mais caro que um voo internacional”, afirmou. O executivo citou a necessidade de discutir a formação de preços no mercado interno e melhorar a infraestrutura de aeroportos para reduzir custos.

 

Do lado da companhia, o executivo disse que vai investir em aeronaves que usam menos combustíveis, o que ajuda a reduzir os custos e os preços das passagens aéreas. Das 15 aeronaves que a Azul diz que vai adquirir em 2019, duas são do modelo Embraer E195 E2, sete Airbus A320neo, três A330neo (usadas em destinos internacionais) e três ATR (destinadas a voos regionais). Os novos aviões proporcionam um custo por assento de 26% a 29% menor em comparação à frota atual.

 

Abhi Shah, vice-presidente de recursos da Azul, disse que espera para 2019 um crescimento na demanda em linha com a ampliação na oferta de voos da companhia, permitindo à Azul manter estável o nível de ocupação dos voos.

 

Para a temporada de alto verão, que vai de 20 de dezembro a 3 de fevereiro, a Azul informou que vai oferecer 5,7 mil voos extras, o equivalente a um aumento de 13% na oferta de assentos em comparação ao mesmo intervalo de 2017.

 

A companhia estima que sua participação no total de assentos ofertados no mercado aéreo brasileiro crescerá 1 ponto percentual no verão, passando para 24%. A expectativa é transportar 3,3 milhões de clientes durante a alta temporada, o que representa um crescimento de 11% em relação ao mesmo período do verão passado.


Fonte: Valor Econômico 28 Nov 2018Cibelle Bouças